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quinta-feira, maio 21, 2026

 

O EXODO DOS BRANCOS ANGOLANOS

Recados àqueles que querem subir na vida à custa dos outros...Ninguém é parvo todos sabem quando lhe pisam os calos! Uns berram, outros, Não...,por isso: Aqui manda o Pecus!

Retornados e Espoliados de Angola 1975

Memória | Descolonização

Entre 1974 e 1976, cerca de meio milhão de portugueses chegou a uma metrópole em revolução vindo de Angola. Vinham com uma mala de cartão, um filho ao colo e um nome que nunca pediram: “retornados”. Muitos, ainda hoje, preferem chamar-se espoliados — porque não voltaram, foram expulsos, e perderam tudo.

Não foi um regresso. Para a maioria dos que nasceram em Nova Lisboa, Sá da Bandeira ou Carmona, Portugal era um país estrangeiro. Aterrariam em Lisboa entre julho e novembro de 1975, no meio da maior ponte aérea civil da história, para encontrar um país sem casas, sem emprego e, muitas vezes, sem vontade de os receber.

Os números

Os números ainda são discutidos, mas as ordens de grandeza são consensuais. Do total de cerca de 500 a 600 mil pessoas que chegaram das ex-colónias entre 1974 e 1976, mais de 300 mil vieram apenas de Angola, a grande maioria em quatro meses de 1975.

A “ponte aérea” organizada pela TAP, com apoio da Força Aérea Portuguesa e de aviões fretados, realizou mais de 900 voos entre Luanda (aeroporto Craveiro Lopes) e Lisboa, entre julho e novembro de 1975. Só em setembro, desembarcaram em Lisboa mais de 4.000 pessoas por dia. Vinham com o bilhete oferecido pelo Estado, autorizado um máximo de 20 quilos de bagagem e 5.000 escudos no bolso — o resto ficava.

Eram brancos, mestiços e negros com cartão de cidadão português; eram madeirenses do café, transmontanos do comércio, angolanos de segunda geração, funcionários públicos, tropa e colonos pobres do mato. Todos couberam na mesma palavra redutora.

O Estado que acolheu

Portugal em 1975 não tinha Estado para acolher ninguém. Vivia o PREC, com saneamentos, ocupações, escassez e um governo provisório. Foi criado à pressa, em março de 1975, o IARN — Instituto de Apoio ao Retorno de Nacionais.

O IARN requisitou pensões, hotéis de Lisboa, Estoril e Porto, antigas casernas, seminários e até a Estância de Férias do INATEL. Famílias inteiras viveram meses em quartos de hotel com refeições de sopa e carapau. A integração foi feita sem indemnizações: o Estado português nunca reconheceu o direito à compensação pelos bens deixados em Angola, nacionalizados após a independência.

Foi nesse vazio que nasceu o estigma. Para parte da esquerda revolucionária, eram “colonialistas” e “pides”. Para a população, eram concorrentes na habitação e no emprego. A palavra “retornado” tornou-se um insulto durante anos.

Os jovens que ficaram

Nem todos embarcaram. Milhares de jovens, sobretudo filhos de colonos nascidos em Angola, recusaram sair. Não se sentiam portugueses de Portugal, sentiam-se angolanos. Quando a guerra civil rebentou entre MPLA, FNLA e UNITA, muitos pegaram em armas.

Alguns integraram-se nas milícias da FNLA no norte, outros seguiram Jonas Savimbi para o planalto central da UNITA, e outros ainda ficaram nas fazendas para defender o que era seu. Foram depois capturados, desapareceram ou acabariam por sair anos mais tarde pela Zâmbia ou Namíbia, já sem nada.

“Eu tinha 19 anos, nasci no Huambo e nunca tinha posto os pés em Portugal. Quando os meus pais entraram à força no avião da TAP em setembro, eu fiquei. Não era pelo MPLA nem por Portugal, era pela minha terra. Fui para a UNITA com outros miúdos como eu. Em Lisboa, anos depois, chamaram-me mercenário. Em Angola, sempre fui o ‘colono’. Fiquei sem os dois lados.”

— Testemunho de um jovem que permaneceu em Angola em 1975, recolhido pelo autor

Os barrados na ponte aérea

A ponte aérea não foi para todos. O critério oficial era a nacionalidade portuguesa, mas na prática funcionou uma triagem racial e social no aeroporto de Luanda. Embarcavam primeiro os “portugueses de origem europeia”.

Mulheres negras casadas com portugueses, filhos mestiços, assimilados com bilhete antigo e trabalhadores angolanos que tinham vivido toda a vida para famílias portuguesas foram barrados vezes sem conta. Muitas famílias foram separadas na fila. Foi preciso suborno, cunhas e gritaria para passar.

“No Craveiro Lopes estavam militares portugueses a mandar nas filas. Disseram-me alto: ‘O senhor é português, pode embarcar. A sua mulher e os meninos não’. A minha mulher era negra, de Malanje, casados há quinze anos. Os meus filhos, mestiços, com bilhete de Luanda. Tive de ficar três dias no aeroporto a implorar. Só embarcámos porque um vizinho da TAP nos meteu como ‘bagagem de porão’. Foi assim que viemos, como se fôssemos carga.”

— Testemunho de um retornado chegado à Portela em outubro de 1975

Estima-se que dezenas de milhares de angolanos com direito à nacionalidade tenham ficado para trás por discriminação na ponte aérea, muitos dos quais seriam perseguidos depois da independência.

Os estrangeiros de todos os lados

Em Angola, eram os “brancos de segunda”, os colonos. Em Portugal, passaram a ser os “angolanos”, os que falavam alto, os que abriram cafés e se deram bem depressa demais. Essa dupla estrangeiria marcou uma geração inteira.

Chamar-lhes “retornados” foi um erro histórico. A maior parte nunca tinha “tornado” a lugar algum. Eram espoliados: perderam casas, fazendas, fábricas, poupanças e cemitérios de família sem nunca receberem um escudo de indemnização do Estado português ou angolano.

Integraram-se, apesar de tudo, com uma velocidade notável. Em dez anos, deixaram o IARN, compraram casa, criaram empresas e mudaram a economia das periferias de Lisboa e do Norte. Mas levaram consigo uma memória que raramente foi ouvida: a de um despojo feito em nome da descolonização exemplar, mas que na prática foi caótica, improvisada e profundamente injusta para quem ficou no meio.


Cronologia 1974–1976

25 de Abril de 1974Revolução dos Cravos. O Programa do MFA prevê o direito à autodeterminação das colónias.
Julho 1974 – Janeiro 1975Éxodo silencioso. Primeiras saídas de Angola por medo, após o Acordo do Alvor. Cerca de 30 mil chegam a Lisboa até dezembro.
31 de Janeiro de 1975Acordo do Alvor. Independência de Angola marcada para 11 de novembro de 1975 com governo de transição MPLA/FNLA/UNITA.
Março – Julho 1975Guerra civil em Luanda. FNLA ataca, MPLA resiste com apoio cubano. Pânico generalizado entre a população branca e mestiça.
17 de Julho – 3 de Novembro 1975Ponte Aérea Luanda-Lisboa. Mais de 905 voos da TAP e FAP transportam cerca de 140.000 pessoas em 4 meses.
11 de Novembro de 1975Independência de Angola. O MPLA proclama a República Popular de Angola em Luanda. Últimos voos de emergência.
1976Encerramento gradual do IARN. Famílias ainda em hotéis são realojadas em bairros sociais como o da Quinta das Laranjeiras e Santo António dos Cavaleiros. Começa a longa batalha jurídica dos espoliados.

Este artigo foi escrito a partir de testemunhos orais, arquivos do IARN e documentação da Cruz Vermelha Portuguesa. Se a sua família viveu a ponte aérea de 1975, deixe o seu testemunho nos comentários. A memória dos retornados e espoliados é parte essencial da história recente de Portugal.


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domingo, janeiro 11, 2026

 

Vote no Almirante

Recados àqueles que querem subir na vida à custa dos outros...Ninguém é parvo todos sabem quando lhe pisam os calos! Uns berram, outros, N?o...,por isso: Aqui manda o Pecus!




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domingo, junho 30, 2024

 
Recados àqueles que querem subir na vida à custa dos outros...Ninguém é parvo todos sabem quando lhe pisam os calos! Uns berram, outros, Não...,por isso: Aqui manda o Pecus!




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quarta-feira, junho 19, 2024

 

"comichões de inquérito"



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quarta-feira, maio 01, 2024

 
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quarta-feira, março 13, 2024

 

XII CONGRESSODO PARTIDO SOCIALISTA

Parque das Nações Pavilhão Atlântico – ano 2001

Intervenção do militante Renato Gomes Pereira

Delegado ao Congresso pela Póvoa de Varzim

 

CAMARADAS

Ainda bem que o BILL GATES criou a Microsoft.

Agradeço-lhe por isso.

 E também à IBM.

Os computadores e a navegação na internet, servem momentaneamente os princípios capitalistas da globalização mas encerram em si, com a efectiva Globalização e a sua proletarização, um ” cavalo de troia”, que a médio e a longo prazo levará à queda desse mesmo capitalismo.

                O Futuro é o Mundo Global Associativo e Participativo

                A DEMOCRACIA VERDADEIRAMENTE PARTICIPATIVA

                Desenganem-se aqueles que pensam que o empresarialismo  –O domínio empresarial- é o futuro.

                O FUTURO É O HOMEM INTERACTIVO.

O TRABALHO INDEPENDENTE (comercio, indústria, serviços e agricultura) e todas as suas implicações sociais, económicas e politicas, deve ser especialmente pensado e cuidado pelo Partido Socialista.

PORTUGAL PELA POSITIVA, não será nunca e apenas um Portugal Assalariado, ou ao serviço de um qualquer capitalismo ou multinacionalismo, seja ele resultante da “Fortaleza europeia” ou de outra força económica mundial.

Há que pensar nisto camaradas, e começar a organizar o partido de modo a dar voz aos cidadãos e não só aos militantes e aos assalariados, se não quiser Perder o Futuro.

POR UM PS ABERTO E RENOVADO

POR PORTUGAL SOLIDÁRIO

 

                           Renato Gomes Pereira


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Os Passos da Inconstância e da Alternância

Recados àqueles que querem subir na vida à custa dos outros...Ninguém é parvo todos sabem quando lhe pisam os cal

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domingo, dezembro 17, 2023

 

FALA COM AS PLANTAS








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aix

Ninguém é parvo todos sabem quando lhe pisam os calos!



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terça-feira, outubro 10, 2023

 
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segunda-feira, janeiro 02, 2023

 

REFILA


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sábado, dezembro 19, 2020

 

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segunda-feira, abril 24, 2017

 

AS MORTES que ABRIL pariu…

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sexta-feira, março 17, 2017

 

DEIXA O PUTO EM PAZ

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DEixóputo…

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O PUTO SOMOS TODOS NÓS…


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sexta-feira, fevereiro 17, 2017

 

O PREÇO JUSTO

 

EURO1

 

 

EURO

 

 

QUEM CRIOU O EURO criou também as chamadas moedas pretas… Logo a moeda mais pequena serve para comprar o que é essencial à vida de cada pessoa …O Pão…

QUEM CRIOU O EURO criou também as notas… Logo a nota maior é de  a 500…serve para pgara um salario máximo mensal, uma pensão máxima mensal…

QUEM CRIOU O EURO criou uma moeda estável---significando isso não haver inflacção nem deflacção, e muito menos especulação

QUEM CRIOU O EURO , não pretendia que o valor das coisas no mercado fosse 10 ou mais vezes superior ao valor facial da moeda editada…

POR ISSO BAIXEM OS PREÇOS


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O PREÇO JUSTO

 

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POR ISSO BAIXEM OS PREÇOS


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terça-feira, janeiro 24, 2017

 

OS ZAROLHOS E OS DEPUTADOS

QUAL PEC E QUAL TSU …BAIXEM É OS PREÇOS

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Basta Baixar  dez euros no preço do gaz de garrafa,

ou no preço da água, da luz, ou dos géneros da cesta

básica para que o aumento real do salário minimo

seja muito superior a essa miséria de aumento

concertada entre a burguesia dos patrões e

a dos sindicatos…

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domingo, janeiro 15, 2017

 

DA GUERRA E DA PAZ–Terroristas Económicos

O Aumento dos preços é um acto deliberado de “terrorismo económico” … Quem aumenta preços é um “bombista económico” …Não parece letal mas é-o e mais profundamente danificador de toda avida sicietária do que um “terrorista dos outros que se imola e mata sete inocentes”.. O Terrorista Económico, mata milhões , mas disfarçadamente como se não fosse terrorista…

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sábado, dezembro 24, 2016

 

BOM NATAL e Feliz Ano Novo

baseado no Presépio nº 143 elaborado por René Adão

e exposto na EB2/3 Vieira de Carvalho/Maia

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visões de outros ângulos

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domingo, dezembro 04, 2016

 

Figuras Misticas e Miticas de 2016

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